Guerra de bastidores estremece relação de Maia e Temer

Por Lucas Lyra

 

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), está cada vez mais distante e crítico ao presidente Michel Temer (PMDB-SP). Uma guerra de bastidores entre o DEM e o PMDB mina o delicado relacionamento entre o carioca e o paulista.

Uma boa relação entre os dois é de extrema importância principalmente para Temer, não só devido a segunda denúncia contra ele a ser apreciada pela Câmara, mas também porque Maia, como presidente da Câmara dos Deputados, é também Presidente da República interino na ausência de Temer, como é o caso nesta semana com a viagem do paulista à Nova York.

Desde o episódio durante a tramitação da primeira denúncia contra Temer na Câmara, quando o PMDB, para articular votos a favor do presidente, se aproximou do PSB e irritou a cúpula do DEM, a relação entre os dois está estremecida. Desta vez, a migração do senador Fernando Bezerra (PE) do PSB para o PMDB parece ter inflamado ainda mais a rixa partidária.

“Quando a gente faz um acordo, tem de cumprir a palavra. A coisa mais importante da política é a palavra. Eu já avisei o presidente, isso causou muito desconforto dentro da bancada”, falou Maia, se referindo ainda ao episódio durante a tramitação da denúncia contra Temer.

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Para o carioca, a participação de ministros na cerimônia de filiação do senador deixa clara a “interferência” do Planalto no assunto. “A gente não pode ficar levando facada nas costas do PMDB, principalmente de ministros do Palácio e do presidente do PMDB” disse o presidente da Câmara.

As tensões aumentaram ainda mais com os boatos de que o PMDB estaria tentando atrair o deputado Marinaldo Rosendo (PSB-PE) para o partido, já que o parlamentar já estaria “apalavrado” com o DEM.

“Se é assim que eles querem tratar um aliado, eu não sei o que é um adversário. Quero que isso fique registrado, para que, quando a bancada do Democratas tiver uma posição divergente, o governo entenda. Há uma revolta muito grande na bancada, não virou rebelião ainda, mas há revolta”, ameaçou Maia.

Prevendo a votação da segunda denúncia contra Temer para meados de outubro, o carioca disse esperar que o Planalto seja “mais respeitoso” com ele, e garantiu que manteria a imparcialidade que teve na primeira denuncia.

“As vozes do Palácio, agora, terão o meu silêncio absoluto. Nenhuma opinião. Nem contra, nem a favor”, declarou Maia.

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