Como na primeira denúncia, Temer licencia ministros com cargo de deputado

Por Gabriela Mestre

Com supervisão de Lucas Lyra

Precedendo a votação da sua segunda denúncia na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), o presidente Michel Temer (PMDB) decidiu licenciar nessa quarta-feira (18) dois ministros, que voltam a exercer cargo na Câmara dos Deputados. Dessa vez, foram exonerados o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho (PSB), e o ministro da Defesa, Raul Jungmann (PPS). Na primeira denúncia, dez ministros compuseram a lista de exoneração do presidente.

O objetivo é colocar esses deputados na comissão, o que garante ao presidente mais dois votos favoráveis ao arquivamento da denúncia. Representando a ala de oposição ao governo do PSB, o deputado Júlio Delgado definiu a estratégia como uma “intromissão clara do governo para blindar Temer na CCJ”. Raul Jungmann será suplente de um deputado do PSB, apesar de ser do PPS.

A exoneração foi divulgada no Diário Oficial da União nessa quarta-feira. Consequência disso é a perda dos mandatos de Severino Ninho (PSB) e Creuza Pereira (PSB), suplentes que pedem pela destituição da líder do partido e aliada do Michel Temer, Tereza Cristina. Coelho Filho já estava entre os escolhidos a serem exonerados na primeira denúncia, além de Antônio Imbassahy (PSDB), Mendonça Filho (DEM), Bruno Araújo (PSDB), Osmar Terra (PMDB), Leonardo Picciani (PMDB), José Sarney Filho (PV), Ronaldo Nogueira (PTB), Marx Beltrão (PMDB) e Maurício Quintella (PR).

O governo defendeu as exonerações alegando a proximidade do prazo para entrega das emendas ao Orçamento, que se encerra nessa sexta-feira (20). A votação do parecer da denúncia contra Temer acontecerá nessa quarta-feira. Temer foi acusado por obstrução de justiça e organização criminosa pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *