Votação na CCJ evidencia limitações crônicas da esquerda

Por Lucas Lyra

 

Em um cenário bem mais difícil que na primeira denúncia, com mais delações premiadas citando o presidente e em um parlamento onde Temer já se mostra desgastado com a tramitação das reformas, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou o parecer contrário a denúncia produzida pela Procuradoria Geral da República (PGR).

Em uma sessão conturbada, com inúmeras interrupções pelos integrantes da comissão, o presidente do colegiado, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) teve trabalho para conduzir o debate acerca do relatório elaborado pelo deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG)

Bem ao estilo “esquerda oposição”, deputados do PT, PSOL e afins, se limitaram a fazer discursos chocantes, levantar cartazes ou gritar em coro “Fora Temer!”, em um jogo onde todos sabem que os discursos proferidos dentro da comissão pouco valiam. O real convencimento, a articulação, a contagem de votos, era feita abertamente pelos apoiadores de Temer.

Foto: Ricardo Padue
Enquanto o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), por exemplo, distribuía cartazes condenando Temer pela recente polêmica relativa ao trabalho escravo (tema não relacionado a sessão), o vice-líder do Governo na Câmara, Beto Mansur (PRB-SP), passava cordialmente de parlamentar em parlamentar, trocando apertos de mãos e contabilizando os prováveis resultados da votação. “O placar será 40 x 25, por aí. Pode anotar”, bradava Mansur à mídia presente.

Alessandro Molon (REDE-RJ), era uma das vozes mais ativas contra o relatório de Bonifácio, e uma das mais sensatas. O carioca afirmou que o “quadrilhão do PMDB” continuou praticando crimes contra o Estado mesmo depois de Temer assumir a presidência. “Temer usa o cargo para cometer crimes”, disse.

Foto: Ricardo Padue
Molon afirmou também que Temer seria o chefe do grupo criminoso e o acusou de fazer parte da articulação do pacto de silêncio entre o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o doleiro Lúcio Funaro.

O resultado da votação mostrou que Mansur estava com as previsões afiadas, errou por um voto. 39 x 26, enquanto na primeira oportunidade, Temer saiu vitorioso por 41 x 24, resultado muito próximo daquele obtido nesta quarta-feira, mesmo com todo o desgaste adicional que Temer agora carrega.

Afinal, a sessão da CCJ que aprovou o relatório contra a denúncia da PGR, mostrou que as características já enraizadas em nossos “polos políticos” pouco se alteraram com os 14 anos em que a “esquerda” esteve no poder. PT, PSOL, PC do B, fazem barulho. PSDB, PMDB, DEM, fazem articulação.

Foto: Ricardo Padue
O panorama é igualmente verdadeiro se analisado sobre o prisma do impeachment de Dilma e a permanência de Temer. O pragmatismo e o “fazer política” mais consolidado da “direita” a colocam bem a frente da concorrência em termos práticos.

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