Plano B de Boicote

Por Lucas Lyra e Gabriela Mestre

Plano A, plano B ou C do Partido dos Trabalhadores, na verdade, seriam insuficientes as 27 letras do alfabeto: Luiz Inácio Lula da Silva é o candidato-aposta do PT para a presidência da República em 2018 sob todos os cenários. É fato que a candidatura corre riscos de inviabilização, sobretudo após depoimento no início do mês de setembro do ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci (PT) ao juiz Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato. Diante disso, caso Lula seja impossibilitado de se candidatar, membros da cúpula do partido defendem que a solução seria o boicote, por definição, nas eleições de 2018: o PT sem representantes tanto para a disputa da Presidência, quanto para o Senado ou Câmara dos Deputados.

A denúncia de propina cedida por empreiteiras e recebida por Lula enquanto presidente é a condenação vigente na Operação Lava Jato da Polícia Federal. O luxuoso tríplex de 297 m² do petista, oferecido pela construtora OAS, pode se tornar a gota d’água com a sentença de Moro, que pode barrar a candidatura do ex-presidente com base na Lei da Ficha Limpa. No transcorrer dos ‘rounds’ entre Lula e o juiz, o ex-presidente já foi condenado a nove anos e meio de prisão por receber recursos ilegais de empresas como a OAS e Odebrecht. Totalizando, Lula se tornou réu por sete vezes em diferentes operações da PF. Propinas, lavagem de dinheiro e desvio de verbas são exemplos das denúncias que o petista ‘carrega nas costas’.

Asas de cera

Agora, o Partido dos Trabalhadores e Lula enfrentam o dilema de Ícaro – que na mitologia grega, precisa de um ponto de equilíbrio por não poder voar alto demais sobre o mar e nem baixo demais, haja vista que as asas feitas com cera de Ícaro, poderiam derreter com o calor do sol; e as penas, caso encostassem a água, pesariam, provocando sua queda no oceano. Do mesmo modo, Luiz Inácio precisa agora de um equilíbrio entre sua liderança nas pesquisas das eleições de 2018, e sua possível derrocada, proveniente de delações cruciais que incriminam o político-símbolo do PT.

As pesquisas da Confederação Nacional de Transportes (CNT) apontam Lula como Presidente em 2018 com mais de 30% dos votos, considerando que, em segundo lugar, Jair Bolsonaro (PSC-RJ) não alcançou nem os 20%. Porém, a militância petista nas ruas pode não ser o bastante para poupar Lula das denúncias de Moro. Para a infelicidade do PT, a expectativa não é que Palocci siga o exemplo do ex-ministro José Dirceu e dos ex tesoureiros Delúbio Soares e João Vaccari Neto, que não “traíram” seus colegas, mesmo depois de presos. Conjuntamente, possíveis futuras delações do também ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega (PT), poderão complicar ainda mais a vida de Lula.

Boicote

Boicotar é uma decisão que faria jus à posição do partido hoje, cuja alegação é de perseguição política pelo Ministério Público e Judiciário. Já o plano B do próprio ex-presidente é apostar no ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), “querido” de Lula para manter a linha defensora da classe média e da juventude desacreditada. Haddad também é investigado por receber doações indevidas da Odebrecht em campanhas políticas.

Contudo, há dúvidas de que o ex-prefeito, chamado por membros do partido como “Dilma de saia”, consiga se defender e, simultaneamente, se armar contra as acusações de envolvimento do PT à corrupção, enquanto Presidente da República. De fato, o partido não está de acordo com essa posição de Lula, e se o político-chave do partido não pode se eleger, a ideia do boicote deve ganhar corpo dentro do partido.

“O que estamos denunciando é que o impedimento de Lula seria uma fraude nas eleições”; essas são palavras da presidente do PT, a senadora Gleisi Hoffmann. Apesar das circunstâncias desfavoráveis, o PT proclamará ilegitimidade às eleições de 2018 se Lula não puder se eleger. A devoção se confirma com as afirmações da senadora: “não temos plano B. Plano B para quê? Haddad? Jaques Wagner? Plano B é para perder a eleição? Nosso nome competitivo é o Lula e é com ele que vamos para a eleição”. A esperança do partido é que Lula não tenha o mesmo destino de Ícaro conforme o mito, que encantado com a luz do sol, voou alto demais resultando em uma queda que o arruinou e que se for também o caso de Lula, arruinaria também todo o partido.

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