De polemista afiado a balizador da República, Gilmar Mendes se consolida como um dos homens mais influentes de Brasília

BALIZADOR DA REPÚBLICA

A benção do ministro do STF, Gilmar Mendes, a Kassio Nunes, que assumirá a vaga de Celso de Mello, o colocou em posição de destaque aqui em Brasília. E quem foi pedir a benção, com Kassio a tiracolo, foi o próprio presidente Jair Bolsonaro. De fato, não é hoje que Gilmar Mendes exerce grande influência na Praça dos Três Poderes, se movimentando com desenvoltura entre deputados e senadores, seus colegas do Supremo e no Palácio do Planalto. Por esta razão, Gilmar Mendes tornou-se uma espécie de “Balizador da República”.

BALIZADOR DA REPÚBLICA (2)

Nos últimos 20 anos Gilmar Mendes esteve no epicentro de alguns momentos cruciais da vida política brasileira e saiu deles empregando um suporte institucional imprescindível para contornar crise. Muito embora em alguns momentos tenha sido ele próprio a razão da crise. Gilmar Mendes, como costumam expressar os analistas políticos em Brasília, é que de fato “simboliza o poder” na capital federal. E vão além ao dizerem que o ministro Gilmar Mendes é o adversário político que “nenhum presidente da República quer ter”.

MUITO MIMIMI

Mesmo demonstrando não estar nem ai para criticas, o presidente Bolsonaro voltou a defender o nome do desembargador Kassio Marques para o Supremo Tribunal Federal (STF). “Acusam ele de comunista: ele trabalhou com o PT. O Tarcísio trabalhou também com o PT. Parece que o ministro da Defesa também trabalhou com o PT. Um montão de militar aqui serviu no governo do PT”, disse hoje no jardim do Palácio da Alvorada. Bolsonaro amenizou o tom do discurso e não atacou ninguém, apenas fez piadas contra quem ele classificou de “criadores de mimimi”.

E DAÍ?

Para os criadores de caso, Jair Bolsonaro mandou um recado: “Preciso governar e, para isso, tenho que conversar com todos”. Bolsonaro disse ao justificar que tomou café nesta segunda-feira com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. “Tomei café com Maia. E daí? Quem é que faz a pauta na Câmara”? No sábado o presidente se reuniu com o ministro Dias Toffoli, ex-presidente do STF; e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). A exemplo do encontro com Maia, também foi criticado por apoiadores.

JORGE NO TCU

Ao que tudo indica o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira, será mesmo o substituto do ministro José Múcio Monteiro, do Tribunal de Contas da União (TCU). Jorge Oliveira chegou a figurar como possível nome para o Supremo Tribunal Federal (STF) para a vaga de Celso de Mello. No entanto, o presidente Jair Bolsonaro decidiu indicar o desembargador Kassio Nunes Marques, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Será que desta vez Oliveira também será figurante? Parece-me que não.

NOVES FORA

Jorge Oliveira é natural aqui de Brasília. Foi major da Polícia Militar até 2013, quando se aposentou para advogar com especialidade em Direito Público. Profundo conhecedor da gestão pública federal, não terá dificuldades em sua sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Passando pelo crivo da Comissão, Jorge Oliveira terá que passar ainda por uma avaliação dos senadores. Algo como a prova dos noves em aritmética.

BATATA QUENTE

Ficou mesmo para o plenário do Supremo tribunal Federal (STF) decidir se o presidente Jair Bolsonaro depõe presencialmente ou por escrito no inquérito que apura suposta interferência indevida na Polícia Federal (PF). Cabe ao presidente da Corte, ministro Luiz Fux, definir a data do julgamento. A expectativa é de que ele faça isso ainda nesta semana. Como o relator do inquérito, Celso de Mello, se aposenta no dia 13, é possível que tudo se resolva até sexta-feira. Agora a batata quente está nas mãos do Pleno do STF.

VIÉS IDEOLÓGICO

O vice-presidente e chefe do Conselho Nacional da Amazônia Legal, Hamilton Mourão (PRTB), voltou a declarar que o País tem sofrido ataques internacionais por causa de “uma questão ideológica” contrária ao presidente Jair Bolsonaro. “Entre 2000 e 2018 o IBGE registrou desmatados 269,8 mil km² da floresta amazônica, ou seja uma média de 15 mil km² por ano. Todo mundo ficou em silêncio. Não tinha ninguém reclamando naquele período”, comparou Mourão.

RACHA NO GOVERNO

A guerra declarada entre os ministros da Economia, Paulo Guedes, e do Desenvolvimento Social, Rogério Marinho, em torno da forma de financiamento do programa Renda Cidadã esquentou a temperatura política aqui em Brasília. A briga evidenciou que há um racha no governo Jair Bolsonaro. De um lado está Guedes com apoio do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. De outro, Marinho com apoio de ministros militares e líderes do Centrão. Em cima do muro está Bolsonaro, que tentou apaziguar os ânimos com um jantar no Palácio da Alvorada.

COMPARAÇÃO

A briga entre Guedes e Marinho já é comparada ao episódio do envio do primeiro orçamento com déficit pelo governo Dilma Rousseff. Em 2015, a disputa dos dois principais ministros de Dilma, Joaquim Levy, na Fazenda, e Nelson Barbosa, no Planejamento, em torno do envio ao Congresso do projeto de Orçamento de 2016 com a previsão de déficit de R$ 30,5 bilhões (foi a primeira vez que isso aconteceu) dividiu o governo entre as alas fiscalista e desenvolvimentista. O Brasil perdeu o grau de investimento, o selo de bom pagador, pela agência Standard & Poor’s dias depois.

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