General Mourão dispara a sua “metralhadora” contra Lula

LÍNGUA AFIADA

O vice-presidente da República, general da reserva Hamilton Mourão, não hesitou após o discurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disparou a sua “metralhadora” verbal. Ele disse que Lula não vence a eleição de 2022 porque é um político velho. E foi além: ‘Ele é analógico e nós somos digitais’, afirmou nesta quinta. “Ele tem que mudar e mudar muito e acho difícil nessa altura da vida, com quase 76 anos, e vai concorrer com 77, haver uma mudança”, disparou Mourão. Ao menos, velho não é velhaco. Ou será nesse caso específico?

ESQUENTOU O CLIMA

Pelas bandas da Câmara Federal o clima anda tenso. É que o deputado André Janones (Avante-MG) chamou o ministro da Economia, Paulo Guedes, de ‘canalha’ e ‘bandido’ em votação da PEC Emergencial. Segundo o parlamentar, o governo estaria agindo para deixar à Câmara o ônus de manter o auxílio emergencial em valor baixo. É lógico que governistas sairam em defesa do ministro, mas parlamentar mineiro manteve o tom agressivo. “Prevejo, daqui a alguns dias, o presidente da República e o canalha e mau caráter do Paulo Guedes dizendo: ‘Nós quisemos dar um auxílio de R$ 600, mas a Câmara dos Deputados estipulou um limite de R$ 44 bi. E por conta dos deputados que estão se lixando para o povo, somos obrigados a dar essa miséria de R$ 150”, disse ele.

RECUO

 Sérgio Lima

Pode ser coincidência ou não. Após as críticas do ex-presidente Lula à postura classificada como “negacionista” de Jair Bolsonaro, o presidente sancionou a lei que permite a compra de mais vacinas contra a covid-19. Na solenidade, Bolsonaro usou máscara, assim como os ministros. Ele fez um discurso a favor dos imunizantes, defendeu sua atuação no combate à pandemia e se referiu aos lockdowns de 2020 — dos quais foi contra — como ações do governo para que hospitais tivessem tempo para se equipar antes da disparada de casos da doença. Certamente, a volta de Lula ao cenário político irá aquecer essa e outras discussões.

AVANÇO

Mesmo com um discurso mais ligth, o presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar as medidas de isolamento social. Durante participação virtual em reunião da Frente Parlamentar Mista das Micro e Pequenas Empresas, nesta quinta-feira, ele citou a possibilidade de invasões e greves em função do lockdown. Bolsonaro comparou o isolamento a um “sapo fervido”, ou seja, depois de aumentada a temperatura, “não sai mais da panela”. “Até quando? Até quando nossa economia vai resistir? Se colapsar, vai ser uma desgraça. O que poderemos ter brevemente? Invasão a supermercado, fogo em ônibus, greves, piquetes, paralisações. Onde vamos chegar? Será tarde para o sapo sair da panela”, disse Bolsonaro.

MAIS UM MILITAR

Não foi nenhuma surpresa a exoneração de Fábio Wajngarten do cargo de secretário especial de Comunicação Social do Ministério das Comunicações pelo presidente Bolsonaro. Ele nomeou para ocupar interinamente o lugar dele o almirante Flávio Augusto Viana Rocha. O militar é o chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência e agora irá acumular as duas funções. A mudança está formalizada no Diário Oficial da União desta quinta-feira. Flávio Rocha é chamado dentro do governo de “bom de jogo” e “habilidoso”. A mudança, conforme conversa de bastidores, deve colocar um fim aos desentendimentos dentro da área de comunicação do governo.

A QUEM INTERESSA?

Com a volta de Lula (PT) ao cenário e a implosão da possível candidatura do ex-ministro Sérgio Moro à presidência da República em 2022, quem se saiu bem nessa foi o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Moro disputava votos do chamado centro democrático e esse vácuo pode atrair Doria. Por enquanto, João Doria se agarra na mídia gerada pela vacina Coronavac, produzida pelo Butantan em parceria com chineses. O governador de São Paulo classificou como ironia o presidente Bolsonaro enaltecer a vacinação da mãe dele e ainda enaltecer no fato em entrevista. Segundo Doria, Bolsonaro “deu meio cavalo de pau no negacionismo em relação à pandemia”. E olha que essa disputa nem começou de fato. Promete muito!

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