Vice de Doria lamenta desinformação propagada por Bolsonaro sobre Butantan

O vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (DEM), saiu em defesa da Coronavac nesta sexta-feira (23/7). Ele lamentou as falas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que acusou um superfaturamento do Instituto Butantan nas vendas da vacina ao Ministério da Saúde.

“Eu venho lamentar aqui as declarações do presidente, mais uma vez mostra desinformação. O Butantan é o único instituto no Brasil e na América Latina autorizado pela Sinovac a comercializar doses da Coronavac, portanto ele é um revendedor e um produtor exclusivo da Coronavac para a América Latina, e fez uma venda ao Ministério da Saúde. Inclusive uma venda a preço mais baixo do que o MS adquiriu do consórcio Covax-Facility, que tem dentro de suas vacinas a Coronavac, adquirida com valor ainda mais alto do que aquele vendido pelo Instituto Butantan”, falou Garcia.

O vice-governador falou que “todos os recursos desta operação são reinvestidos para investimento a pesquisa e desenvolvimento, por isso que o Instituto Butantan tem salvado o Brasil na questão da Covid e é fundamental para a vacina da gripe e de outras vacinas produzidas no instituto”.

Da mesma forma, o secretário de Saúde do estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, também saiu em defesa da eficácia da Coronavac na população e descartou qualquer dose de reforço da vacina contra a Covid-19, em qualquer faixa etária. A fala vem após a publicação de um estudo mostrar que entre as pessoas maiores de 80 anos, a eficácia da Coronavac foi de apenas 28% contra a contaminação, 43,4% contra hospitalização e 49,9% contra morte.

Gorincheyn admitiu que existe uma resposta imunológica menor na população idosa, mas que isso ocorre com outros tipos de vacina, inclusive a da gripe, e que não justifica uma terceira dose.

“Assim como nós não fazemos uma segunda dose para gripe, como não fazemos doses adicionais para pneumonia, nós entendemos que o que temos hoje de resposta protege a população, não existe a necessidade de de fazer uma dose adicional para qualquer faixa etária, inclusive para faixa de idosos”, falou.

O secretário reforçou que, além da vacinação, as regras sanitárias como uso de máscaras e distanciamento social devem ser mantidas.

“Eu quero deixar bem claro que nenhuma vacina para idosos protege da mesma forma que em outras faixas etárias, seja pediátrica, seja em adultos, a tendência de resposta tende a ser menor. Os estudos de Serrana reduziram o impacto de mortes e casos graves, necessidade de se manter todas as regras e ritos sanitários, especialmente nesta faixa etária. Em nenhum momento, em nenhuma outra vacina, não é dado nenhuma dose de reforço”, ressaltou.

De acordo com o estudo publicado na última quarta-feira (21/7), feito por cientistas do grupo Vaccine Effectiveness in Brazil Against COVID-19 e apoiado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a eficácia da Coronavac no grupo com 70 a 74 anos foi de 61,8% na proteção contra casos sintomáticos, de 80,1% contra hospitalizações e de 86% contra mortes.

A pesquisa foi feita com 43 mil pessoas entre janeiro e abril. No início de julho, foi divulgado um estudo realizado no Chile, que recomenda uma terceira dose da vacina Coronavac seis meses após a segunda aplicação.

Da redação com o Metrópoles

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