Diretórios dão carta branca à filiação de Bolsonaro, diz senador do PL

O vice-líder do governo no Senado Federal e no Congresso Nacional, senador Jorginho Mello (PL-SC), disse em entrevista coletiva, na tarde desta quarta-feira (17/11), que, mesmo antes do fim da reunião de presidentes dos diretórios estaduais do partido, ficou acertado que os líderes deixarão suas diferenças de lado e irão ceder às exigências do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para ingressar na legenda.

“O partido está dando ao presidente Valdemar [Costa Neto] carta branca para acertar com o presidente Bolsonaro todas as arestas de possibilidades que tenha em qualquer canto do Brasil. O PL sai unido. Evidentemente, todos os estados falaram, um por um. Alguns não eram originários, não tinha no estado algum tipo de dificuldade. Com a liderança do presidente Valdemar, isso tudo está sendo equacionado”, disse o parlamentar a jornalistas.

“O partido unanimemente entrega uma procuração ao presidente Valdemar pra que ele trate com o presidente Bolsonaro e todo mundo vai receber o presidente de braços abertos”, completou Mello, que foi “autorizado”, segundo a assessoria de comunicação da sigla, a dar uma prévia das decisões acertadas entre os diretórios estaduais.

O imbróglio partidário gira em torno de questões relacionadas a acordos políticos, como coligações e direções do partido em alguns estados. Tudo teria começado após discussão sobre o diretório do partido em São Paulo, que o presidente da República estaria decidido a deixar sob comando do filho 03, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL/SP).

Leia nota do PL à imprensa:

Cancelamento de filiação

Inicialmente marcada para acontecer no dia 22 deste mês, a filiação de Jair Bolsonaro ao PL foi suspensa. A informação foi divulgada pelo partido, em nota enviada aos filiados, à qual o Metrópoles teve acesso.

De acordo com o documento, o cancelamento foi decidido em “comum acordo” entre membros do partido e o presidente Jair Bolsonaro, “após intensa troca de mensagens na madrugada deste domingo”.

“Decidimos, de comum acordo, pelo adiamento da anunciada cerimônia de filiação. Portanto, a data de 22 de novembro foi cancelada, não havendo, ainda, uma nova data para o compromisso de filiação”, consta no documento.

“Casamento atrasado”

O partido divulgou o comunicado após o presidente Jair Bolsonaro afirmar que o “casamento” com a legenda poderia atrasar. A declaração foi dada durante participação do mandatário brasileiro na Dubai Air Show, considerada uma das principais feiras da indústria aeroespacial do mundo, nos Emirados Árabes Unidos.

“Só vale depois que eu assinar embaixo. Enquanto eu não assinar, não vale. Você quer saber a data que vai nascer a criança e eu nem casei ainda, pô”, disse o mandatário neste domingo.

O chefe do Executivo federal afirmou que o discurso do partido precisa estar alinhado com o dele, para construir um “projeto de Brasil”. De acordo com o titular do Palácio do Planalto, ainda há “muita coisa” para se conversar com Valdemar Costa Neto, presidente da sigla.

Projeto de Brasil

“Tem muita coisa pra conversar com o Valdemar da Costa ainda. Porque, afinal de contas, não é a minha bandeira que vai ficar isolada no partido dele. Nós queremos é um projeto de Brasil. E o discurso de estarmos perfeitamente alinhados não é apenas o meu, é do presidente do partido também”, ressaltou.

Por fim, Bolsonaro comentou que a filiação no dia 22 de novembro – data que remete ao número do PL nas urnas – não deve ser cumprida.

“Eu acho difícil essa data de 22. Tenho conversado com ele e estamos em comum acordo que podemos atrasar esse casamento para que não comece sendo muito igual aos outros. Não queremos isso”, finalizou.

Da redação com o Metrópoles

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