Um verdadeiro revolucionário mundial

 Por Lucas Lyra 

A esquerda brasileira é cheia de heróis, míticas figuras que “doaram” a vida pela causa e ajudaram a mudar o Brasil. Brizola, Marighella, Lula e talvez, o mais icônico deles, Prestes, o “cavalheiro da esperança”, são alguns dos exemplos. Porém, algumas figuras tão importantes, ou tão “corajosas” quanto, muitas vezes são esquecidas pela memória coletiva do brasileiro.

Apolônio de Carvalho é um destes exemplos. Nascido em Corumbá-GO, tornou-se militar ainda jovem, antes dos 18 anos, na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro. Com 21 anos, já oficial, Apolônio já flertava com ideais do comunismo e engajou-se na militância dentro das Forças Armadas. Em 1935, ajudou a fundar a Aliança Nacional Libertadora (ANL); importante força revolucionária contra a ditadura do “Estado Novo” de Vargas.

Entretanto, rapidamente se afastou da organização sendo considerado um traidor por não ter desertado das Forças Armadas. No entanto, como manteve sua militância comunista nos quartéis, o jovem foi “denunciado” à ditadura varguista, foi preso, teve sua patente militar destituída e foi expulso da corporação em 1936.

Ao sair da prisão, em 37,  juntou-se finalmente ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), que segundo suas próprias palavras, tinha ideais “muito parecidos com os da ANL: contra os monopólios estrangeiros, pela reforma agrária, pela autonomia sindical, pelas liberdades sindicais, pelas amplas conquistas sociais”. Por determinação do partido, embarcou para a Espanha com outros 20 brasileiros, onde combateram nas Brigadas Internacionais contra os fascistas liderados pelo ditador espanhol Francisco Franco. Após a guerra espanhola, Apolônio embarca para a França, onde se junta à Resistência Francesa e se torna comandante das forças da região sul do país, com sede em Lyon.

Ao fim da guerra, Apolônio foi condecorado com a Legião de Honra, uma honraria francesa criada por Napoleão Bonaparte para recompensar “eminentes méritos militares”. Então, em 1947, retorna ao Brasil para viver na clandestinidade. Entre 1953 e 1957, fez um curso comunista na União Soviética.

De volta ao Brasil, em 1964, meio ao golpe militar, Apolônio se desentende com o Comitê Central do Partido Comunista, principalmente com Luís Carlos Prestes, e se desfilia da legenda clandestina. Em 1967, funda o Partido Comunista Revolucionário Brasileiro (PCBR) ao lado de Mário Alves, Jacob Gorender e outros. Porém, a legenda demorou pouco para registrar importantes quedas. Em 1970, Apolônio e Jacob Gorender são presos no Rio de Janeiro, e Mário Alves, morto.

Depois, foi solto ao lado de outros 20 comunistas em troca da liberdade do embaixador alemão no Brasil, sequestrado pelo PCBR. Até a anistia, em 79, Apolônio viveu em Argel, capital da Argélia. Quando voltou para o Brasil, nas próprias palavras do revolucionário: “tivemos uma imensa simpatia pelo PT. Em fevereiro de 1980, quando se lança (o partido) oficialmente, vemos o primeiro partido de esquerda em todo o século que pleiteia, como um de seus traços essenciais, a conquista da legalidade”, disse Apolônio, que se tornou um dos fundadores do partido.

Entusiasta do Movimento dos Sem Terra (MST) e da Reforma Agrária, o comunista se manteve na direção nacional do PT até 1987, quando por orientação médica, se afastou das atividades políticas. Morreu em 2005, sem grande reconhecimento.

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