Democrata norte americana chama Bolsonaro de genocida e defende intervenção no Brasil

A democrata Pam Keith, dos Estados Unidos (EUA), usou seu perfil no Twitter para criticar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e reclamar da postura do líder diante da crise da Covid-19 no Brasil.

O posicionamento de Pam gerou diversas reações e causou troca de farpas entre ela e personalidades brasileiras. Em publicação feita na última sexta-feira (26/3), a democrata disse que a crise da Covid-19 no Brasil é um “problema sério”.

“A falta de liderança de Bolsonaro está criando uma crise econômica e de saúde, culminada com um escândalo político de proporções épicas”, publicou.

Pam pediu, ainda, que os Estados Unidos tenham pro-atividade e liderem uma “intervenção internacional”. Em outra publicação, ela chama Bolsonaro de “corrupto, genocida e incompetente”. “Não posso exagerar a gravidade do problema em que a crise do Brasil está se transformando. Bolsonaro é um bruto corrupto, genocida e incompetente. As consequências posteriores disso podem ser terríveis”, disse.

Reação

O pedido por intervenção gerou revolta entre alguns brasileiros. A cineasta Petra Costa, diretora do filme “Democracia em Vertigem” disse que a fala de Pam é “irresponsável” e tem tendências “imperialistas”.

“Com licença? @PamKeithFL, esta é uma declaração tão irresponsável, para não dizer imperialista. Você pode querer se informar antes de fazer tais observações. Eu sugiro assistir nosso filme #DemocraciaEmVertigem no Netflix”, pediu Petra.

O portal de notícias Brasil Wire disse à Pam que os Estados Unidos trabalharam “para quebrar a democracia e a economia do Brasil, e ajudaram a eleger um presidente neofacista”. Outro comentário negativo é do historiador e professor Jones Manuel, que também criticou a fala de Pam e argumentou que os EUA deveriam, em vez de promover uma intervenção, enviar ferramentas que auxiliem no combate à pandemia no Brasil.

 

“A congressista gringa (Partido Democrata) que estava pedindo intervenção dos EUA no Brasil apagou o post e me bloqueou. Mandar vacina? Respiradores? Equipamentos para leito de UTI? Não. Tem que colonizar. E mais raiva eu tenho de brasileiro de esquerda que flerta com essa ideia!”, escreveu Jones.

Reagindo às críticas, Pam disse que apenas mandar mantimentos, como vacinas, para ajudar o Brasil “não vai funcionar”. Ela criticou a gestão de Bolsonaro durante a pandemia, e disse que o chefe do Executivo brasileiro é “tão corrupto quanto Trump”, em referência ao ex-presidente dos Estados Unidos.

“As operações de vacinas precisam de infraestrutura, manutenção de registros e operações logísticas massivas para manter a vacina refrigerada enquanto é distribuída localmente. Bolsonaro não construiu esse sistema”, argumentou.

“E também há chance ZERO de que ele distribuísse a vacina de forma eficiente ou equitativa. Bolsonaro é um vigarista tão corrupto quanto Trump. Ele poderia dar a mínima para a distribuição justa e é muito mais provável que favoreça seus amigos políticos para ter acesso à vacina, assim como Trump”, escreveu Pam.

Por fim, a democrata se justificou dizendo que sugere uma intervenção internacional, e não apenas dos Estados Unidos. “Isso é sobre salvar vidas. Não é sobre mais maquinações políticas secretas clandestinas”.

O youtuber Felipe Neto foi um dos internautas que apoiaram Pam. Ele pediu auxílio: “Querida Pam, por favor, nos ajude. Fiz esse vídeo com o The New York Times no ano passado, peço que você assista. Nós precisamos de ajuda. Por favor, faça essa mensagem chegar até Joe Biden e Kamala Harris – nosso presidente está matando nosso povo desde o primeiro dia”, escreveu.

Felipe Neto continuou: “Nós não precisamos de intervenção, mas precisamos de ajuda. Prescrever medidas governamentais contra a pandemia, mais vacinas. Obrigada”.

Quem é Pam Keith

A democrata é militar e serviu à Marinha dos Estados Unidos entre 1995 e 1999. Além disso, Pam é advogada, formada pela Universidade da Califórnia. Ela concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados norte-americana, mas perdeu para o republicano Brian Mast. Mesmo com a derrota, os discursos de Pam têm bastante popularidade entre os seguidores do Partido Democrata, do qual ela faz parte.

Da redação com o METRÓPOLES

 

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